O ensino universitário e a formação de valores

Didático

Pablo Jiménez Serrano

Doutor em Direito pela Universidade de Oriente de Santiago de Cuba, Cuba. Professor pesquisador do Programa de Mestrado em Direito do Centro Universitário Salesiano de São Paulo- UNISAL.

Resumo

No presente artigo se destaca o vínculo necessário que existe entre o ensino universitário e a formação de valores. O autor discursa sobre uma das características fundamentais do ensino universitário contemporâneo que se empenha em formar o homem novo advindo da sociedade, satisfazendo diariamente o curso da necessidade de formar as novas gerações, em plena correspondência com o desenvolvimento da ciência e da técnica.

Resumen

Por medio del presente estudio se destaca el vínculo necesario existente entre la enseñanza y la formación de valores. El autor destaca la caracterización de la enseñanza universitaria que contemporáneamente se empeña en formar al hombre nuevo, satisfaciendo así la necesidad de formar nuevas generaciones en correspondencia con el desarrollo de la ciencia y la técnica.

Palavras-chave

Aperfeiçoamento, ensino, superior .

Introdução

A excelência do ensino universitário se logra durante o próprio processo educativo, levando-se em conta o aspecto instrutivo, bem como a consolidação da personalidade dos futuros graduados. Assim sendo, o processo de ensino universitário deve ter como objetivo fundamental a preparação científica, profissional, cívica e moral dos formandos.

A formação dos estudantes nas universidades se desenvolve em função das necessidades sócio-econômicas do país, porém, a estratégia do processo educativo deve estar orientada para contemplar a formação integral dos estudantes, tomando-se como base o aperfeiçoamento de atividades curriculares, o desenvolvimento de pesquisas e o aperfeiçoamento pedagógico dos professores.

O professor empenhar-se-á não só na transmissão de seus conhecimentos e habilidades, mas principalmente na criação de valores. C ada professor deve evitar ser afetados pela superficialidade e pelo formalismo, fatores que decisivamente limitam a execução dos objetivos perseguidos.

As mudanças sociais, econômicas e tecnológicas recomendam a adoção de novas políticas que permitam o desempenho docente com eficiência, fator decisivo para alcançar a excelência universitária.

A dificuldade principal que os professores em exercício enfrentam é tratar de fazer bem as coisas e entender por que as faz. Assim, a preocupação de cada professor por aprender a ensinar e a criar valores é condição indispensável para a o êxito de seu trabalho.Contudo, o aperfeiçoamento pedagógico e científico-metodológico dos docentes universitários, de forma permanente, permite a atualização e o intercâmbio de critérios sobre as diversas formas e métodos de ensino. Sabe-se que, em matéria de metodologia e educacional, muitos professores universitários são autodidatas, pois poucos tiveram oportunidade de participar de cursos especializados de pedagogia e, geralmente, desempenham outras funciones, a saber: promotores, advogados, administradores, juizes etc.

1. Um novo sistema de ensino para uma escola nova

Todo processo educativo deve ter como meta a formação de um homem íntegro e criador; assim, toda teoria educativa deve estar voltada à formação de um indivíduo mais bem preparado para resolver os problemas da sociedade.

O movimento da escola nova tem tido uma grande influência em todos os países da América Latina. Em geral, com tal movimento rejeitam-se alguns métodos tradicionais de ensino, entre os quais se destacam os métodos reprodutivo e autoritário, os quais se opõem aos interesses e às necessidades dos estudantes, ao colocar a escola em primeiro lugar como vida e não como preparação para a vida.

A concepção moderna dos métodos de ensino evidencia outros interesses relacionados com a liberdade do trabalho e da comunicação, incluindo como princípios fundamentais: o valor dos interesses de todos, o valor do trabalho em grupo, a liberdade para a iniciativa individual e o trabalho com as comunidades.

Hoje preferimos destacar a diferença entre a escola tradicional e a nova a partir da prevalência no processo educativo do interesse do estudante, permitindo-lhe o acesso à cultura, à ciência e à pesquisa. Em conseqüência, é mister desenvolver a potencialidade e o talento do estudante, através da orientação da família, do seu meio de convivência e da escola.

Dentro das novas correntes educativas, as técnicas participativas ganharam força e foram se adaptando e incorporando progressivamente aos programas pedagógicos. Nesses programas a investigação participativa tem um papel importante para fazer face aos problemas da educação e da sociedade.

Atualmente se tem dado valor relevante à formação de valores e ao desenvolvimento da espiritualidade, pois certamente o ser humano se voltou durante longo tempo apenas ao desenvolvimento da tecnologia e da ciência.

Com este objetivo é, então, necessário haver na América Latina uma união de esforços para estimular o interesse na educação, assim como o desejo de se obter uma formação melhor do cidadão.

2. Características do trabalho docente

O professor universitário se preocupa constantemente por despertar nos estudantes a necessidade de estudar para conhecer e saber fazer as coisas. Assim sendo, o professor mostra o caminho para encontrar respostas, planeja as aulas sob as orientações metodológicas, adapta os planos e programas às condições concretas dos estudantes e utiliza, de forma criadora, métodos e procedimentos adequados para a crítica e a formação de habilidades científicas.

Uma das questões que empobrecem a qualidade da educação é o desconhecimento, por parte dos professores, das formas lógicas que tornam o ensino integral. A transmissão superficial dos conhecimentos pelos professores impõe limites ao desenvolvimento do talento e das habilidades. Desta forma, d urante o desenvolvimento docente torna-se necessário erradicar os hábitos que inconscientemente foram herdados do ensino tradicional, clássico e reprodutivo, criando-se novos procedimentos metodológicos que renovem os métodos tradicionais. Entenda-se por formalismo a memorização automática do material de estudo sem compreendê-lo claramente. (SKATKIN, 1973, p. 10).

Deve-se evitar que, de forma passiva, os estudantes:

a) recebam e processem os conhecimentos somente através da escuta e da observação em sala de aula;

b) se auxiliem da memória para fixar as teorias e decorar conceitos e classificações;

c) reproduzam, durante a resolução de perguntas e problemas, as explicações do professor e dos textos;

d) usem métodos que, ainda que sejam elaborados e propostos pelo próprio professor, sejam considerados desatualizados;

e) sejam receptores passivos dos conteúdos, isto é, dos conhecimentos previamente elaborados pelos professores.

A ativação do ensino é conseqüência do desenvolvimento das ciências pedagógicas e uma resposta às exigências do desenvolvimento científico e tecnológico. Cada professor deve se preocupar por: 1) desenvolver habilidades que permitam aos estudantes fichar, organizar, processar novas informações e comunicar e aplicar novas teorias e conclusões; 2) ensinar a planejar e organizar o estudo individual e coletivo; 3) ensinar o trabalho com textos e; e) estimular a solução independente dos problemas.

2.1. A formação do pensamento científico-crítico

O significativo aumento da importância das pesquisas científicas nas universidades contribui decisivamente ao incremento do interesse dos estudantes para a solução dos problemas das ciências, estimulando a elaboração e uso de novos métodos e técnicas de pesquisas pelos professores.

Nesse contexto, é decisiva uma uniformidade metodológica com a qual todo professor possa definir sua concepção teórica, já que nas ciências um problema pode ser abordado de diversas formas e, assim, existe a dificuldade de que com teorias diferentes podem-se explicar fenômenos idênticos e, desta forma, os mesmos conceitos acabam sendo definidos de maneira diferente.

Reitera-se a necessidade de uma uniformização no uso dos métodos para a formação do pensamento científico na comunidade científica nacional e internacional, tendo em vista o desenvolvimento da ciência, da educação e da cultura.

É fundamental que cada professor domine os métodos próprios propostos por cada ciência para a solução dos problemas com os quais nos depararemos na prática profissional. Assim, o objetivo fundamental das pesquisas no nível pedagógico universitário concentra-se no desenvolvimento do pensamento científico com base nas propriedades e leis essenciais da realidade objetiva.

3. Alguns critérios sobre a formação de valores

A formação do homem novo deve permitir que o estudante seja capaz de resolver os problemas sociais e econômicos, devendo ele, para este fim, conhecer, saber e saber fazer as coisas com respeito, modéstia e dedicação.

Contudo, nas universidades deve-se fazer todo o possível para formar profissionais instruídos, mas, que possam abordar e resolver os problemas teórico-práticos com honestidade, honradez, eqüidade, imparcialidade e responsabilidade. A formação desses valores está em estreita relação com a realidade social em que vivemos, tanto em Brasil, como no resto do mundo que hoje dependente essencialmente do respeito e da tolerância dos homens.

É certo que a formação de valores se origina no meio familiar, mas a relação professor- aluno - sociedade e também de vital importância. Portanto, d urante o processo educativo devemos formar valores, ainda que estes não estejam planejados ou detalhados nos projetos pedagógicos. C ada professor deve empenhar-se não só na transmissão dos conhecimentos, mas principalmente na criação de valores éticos. Cada professor deve forjar e estimular nos estudantes o respeito ao direito dos outros, o respeito à propriedade, à legalidade, à justiça e a justa reciprocidade.

Do ponto de vista profissional e, devido à complexidade do trabalho prático, a ética se constitui como um elemento essencial do ser humano. Nesse sentido, propõe-se como est ratégia para a formação de valores, a orientação do processo educativo, tomando-se como base o desenvolvimento das atividades curriculares e extracurriculares com responsabilidade, diligência, respeito, modéstia, humildade e independência profissional.

Assim, durante o desenvolvimento das atividades curriculares e extracurriculares nas universidades dever-se-á dar preferência ao desenvolvimento da espiritualidade que inclui: a sinceridade, o respeito, a lealdade, a eqüidade, a igualdade, a justiça, a solidariedade e a honestidade.

Conclusão

As universidades contemporâneas têm como missão a formação de profissionais e cientistas. Portanto, deve-se ter o cuidado para que a ciência e a técnica sejam o reflexo do próprio trabalho das universidades. Neste sentido deve ser incentivadas a pesquisa científica e a vinculação teórica e prática dos estudantes universitários, que participam de forma ativa no desenvolvimento da tecnologia e da ciência em geral.

Por intermédio das pesquisas científicas nas universidades, o estudante constantemente sujeita a teoria, as instituições e os conceitos à revisão, atualizando-os de forma a adequá-los às novas realidades, enriquecendo deste modo o conhecimento teórico-prático e metodológico.

Uma universidade de excelência é aquela que expressa qualidade em seu empenho de formar o homem novo advindo da sociedade, satisfazendo diariamente o curso das necessidades de formação das novas gerações, em plena correspondência com o desenvolvimento da ciência e da técnica. Assim, o objetivo desejado, a formação do homem novo, deve permitir que o estudante seja capaz de resolver os problemas sociais e econômicos, devendo ele para este fim conhecer, saber e saber fazer as coisas.

A excelência universitária pressupõe o aperfeiçoamento dos métodos com os quais o processo educativo deve ser dirigido ao estudante, com o objetivo de “instruir, fazer saber, comunicar conhecimentos ou habilidades, mostrar, guiar, orientar, dirigir, o que aponta o professor como agente principal e responsável pelo ensino” (ABREU; MARCUS, 1990, p. 6).

Para se chegar à excelência universitária é absolutamente necessário aperfeiçoar o processo de ensino e as pesquisas científicas, com o intuito de formar profissionais com um alto grau de competência e desempenho teórico-prático. Por isso, é necessário que o processo de ensino-aprendizagem desenvolvido nas universidades objetive a excelência acadêmica e científica.

Nenhuma universidade poderá sobreviver sem produção científica e sem pesquisas. Os estudantes não adquirirão conhecimento sem um sério trabalho metodológico e científico, para isto é necessário investir no desenvolvimento das habilidades investigativas no decorrer de todo o período letivo do curso.

O professor deve empenhar-se não só na transmissão de seus conhecimentos e habilidades, mas principalmente na criação de valores. Igualmente, cada professor deve evitar ser afetados pela superficialidade e pelo formalismo, fatores que decisivamente vão contra a execução dos objetivos perseguidos.

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